arpeggi

mtvm

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Lembra quando passavam clipes na mtv, tal? Eles meio que voltaram, desta vez na web. Os caras criaram esse site mtvmusic com clipes de uma porrada de gente, inclusive antiga, e algumas coisas muito legais, como essa entrevista do Okkervil River em que perguntas e respostas são cantadas.

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Written by Dael

November 20, 2008 at 6:25 pm

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i’m not there, todd haynes

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A obra de Dylan é algo como a Biblia: pouco lida, muito mitificada e, sob efeito de esferas partidárias, amplamente mal interpretada.

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Parece evidente, e pode-se para isso partir-se de sua alma mais pop, que a voz fanha da américa profunda tem algo a dizer como raros o têm: tome-se a princesa de Like a rolling stone, altiva feito Srta De La Mole, que vai à miséria das posses e converte-se numa pedra que rola e rola pelas ruas sujas. E ele pergunta: How does it feel? To be all in your own? E o mundo gosta: está já reconhecida como uma das melhores canções da história e não convém que lhe criaturize mais, à força de quê, Dylan o diz logo ao início de I’m not there, uma música caminha por si mesma. É como o livro que, uma vez escrito, já não pertence a quem primeiro o criou, máxima que, a cada vez, aparece um achando que disse pela primeira vez (ao que há sempre outro pra redarguir E não é?). Todd Haynes é, antes de mais, um diretor cônscio dessa irremediável, louca e estimulante faceta das artes.

Todo jornalista sabe – ou é que devia saber? – que entre a notícia e lenda, publique-se a lenda. É apenas uma das coisas que Haynes tenta dizer ao colocar 6 heterônimos à construção de uma única e grande lenda. Ou pequenas delas; por exemplo, o momento em que estão aí os quatro beatles fazendo estripulias no gramado (que apesar da cena em p&b, é verde feito erva, aham) como fossem crianças, eles e o Dylan londrino que os teria introduzido a um mundo mais hippie; ou o encontro com Allan Ginsberg, o poeta beat. Dylan num carro, ele numa motoneta, ambos em movimento, palavras para o vento.

O fã gostará de vê-lo como um pai de família, esforçado mas falho (quem se havia deixado seduzir pelos olhos da francesa Charlotte Gainsbourg em Science of Sleep, provavelmente se verá encantado com a encarnação na ex-mulher de Dylan); e perceberá o inusitado de vê-lo interpretado por uma mulher (Cate Blanchet), falando muito e muito acidamente; pode vir a sentir que o compreende quando, cigarro sempre à mão, diz aceitar o caos sem que no entanto esteja certo de ser aceito por ele. Dylan é um impostor disfarçado numa criança de 12 anos, é um outlaw deslocado, num filme colorido e preto e branco.

Pela forma e pelo modelo despreocupado em narrar fatos à maneira tradicional (pois nada é dito de modo estritamente claro e objetivo no longa), Haynes deu um passo a frente de brinde ao cinema biográfico. Passado, futuro, mito, verdade, são todos um único nó numa rede de acontecimentos densa e intrincada como seu objeto, Bob Dylan.

A trilha sonora é o brinde extra. Executada por personalidades, Sonic Youth e Calexico, Antony and The Johnsons e Cat Power, Stephen Malkumus e Sufjan Stevens et al., responde aos diferentes espíritos que incorporam as bob’s songs. Tem pontos altos, exemplo, quando Jim James, do My Morning Jacket, disseca Goin’ to Acapulco a frente dos homens Calexico, cena para inevitáveis lágrimas. Se não houvesse pudor em se dizer que constitui um show a parte, é o que provavelmente se diria da trilha, você sabe. Mas nada está a parte, tudo casa, tudo conta e tudo é uma ilusão construída à máxima força do Cinema, num dos melhores retratos/filmes de sempre.

Written by Dael

November 18, 2008 at 6:51 pm

planeta terra festival

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A villa dos galpoes é, certo, o lugar mais legal para se fazer um festival em Sao Paulo. Imagine uma fábrica no pós-guerra, vários galpões vazios, alamedas arborizadas ligando tudo, grandes espaços, e tudo com uma cara de ruína mas, bem, há vida. Esse galpao ali serve de bar, aquele ali de banheiro, e olha, um indie stage naquele outro ali. Dá até pena que o espaço vá ser vendido para um shopping center no ano que vem, mas assim as coisas. A escolha, como a organização do evento, foi linda. Nesses termos (e em outros), é o melhor festival no Brasil hoje.

Dos shows a que assisti (e eu assisti aos melhores, ok?), coloco assim.

RANKING CORRETO DOS MELHORES SHOWS DO PTF:

1. curumin
2. animal collective
3. foals
4. spoon
5. etc.

E nao, colocar o Curumin em primeiro lugar nao tem nada a ver com nenhum impulso ufano-nacionalista, cara palida. Luciano Nakata foi mesmo o mano que fez valer a pena chegar mais cedo (mas não tão cedo, papito!). No começo do show, ele acende um incenso e coloca para queimar a frente de sua bateria, posicionada ao centro do palco e ladeada por baixo e synths, Lucas Martins e Pedro Sosa. Prenúncio acertado da vibe que trariam para o indie stage, o incenso. Luciano toca sempre de sorriso no rosto, tem a mente no mesmo lugar que o corpo e o corpo no mesmo lugar que a música.

Dos albuns do Curumin, prefiro o primeiro, mas admiro ambos pelo tropicalismo tocado com uma maturidade brincalhona do antropófago que aprendeu a extrair o melhor de cada lado. Cedês à parte, Curumin te ganha mesmo é ao vivo. Com o rosto da Billie Holiday na camisa, toca do funk ao dub e põe aí mais samba e rap, uma salada de frutas com gostinho brasil. Entre canção e outra ele fala com o público, convoca, e não que isso seja estritamente necessário a um artista, mas simpatia é aquilo que sabeis. (E não tem nada a ver com as mãozinhas pra cima do Kaiser Chiefs.) Aí ele agradece que o som esteja tão bom, “assim tudo fica mais fácil, galera” e diz obrigado ao staff técnico, pelos nomes.

Entrou esse cara, que eu peco por não saber o nome, pra cantar algumas músicas. Estava totalmente chapado. Luciano tocava e ria e falava da brisa. A sintonia entre os quatro no palco era tanta que você se sentia participando da música só de olhar pro sorriso deles. Entre todas as conexões que se pode estabelecer com um músico ao vivo, a do riso consentido talvez seja das mais poderosas. Ritmos criativos e um ecletismo que te jogava até no meio de um batidão vertiam naturais e verdadeiros, marcando um início delicioso pro (meu) festival.

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Aí vem o grupo com o menu sonoro mais referenciado nos tentáculos musicais da atualidade, Animal Collective, que eu nem imaginava como ia ser ao vivo, mas sabia que ia ser chapa quente desde sempre. Começou morno, entretanto, problema técnico, o microfone do Panda Bear não reagia e a banda parou tudo, meio puta, público idem. Tudo ok, voltam em seguida, e ao fundo da loucura que principia começa a rolar o Bolero de Ravel.

O Animal joga o jogo da imersão. De repente saem das caixas uns rasgos que te envolvem o corpo e te jogam contra a banda, que já está em pé de fazer barulho até que a espinha faça correr os líquidos que correm quando algo especial está acontecendo. Houve quem reclamasse do som, mas próximo ao palco, onde estava eu, a coisa toda soava cristalina de modo que dava pra ouvir um tilintar no meio das trocentas camadas que rodavam ao mesmo tempo.

Tocaram na maioria as músicas do Strawberry Jam e fizeram Fireworks render uns 15, talvez 20 minutos, que passaram como um suspiro. O show foi rápido e intenso. E talvez a peça mais artística do festival, seja lá o que suas mentes sujinhas vão entender disso. Leiam esse texto aqui da Katia, que faz uma análise bacana e apaixonada do AC (justo como eu faria, mas há a fadiga).

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O cedê debute do Foals revela uma banda boa, mas que talvez fique aí. Agora, o que é aquilo ao vivo? Banda principiante com tanta capacidade de destruição é um ponto a ser considerado. Os solos geométricos e as interações entre as guitarras que os renderam a ingênua tag mathrock ficam por vezes soterrados por sete palmos de distorção pesada e bateria frenética, tudo erradamente acertado. Festa, festa, festa. Lá pelas tantas, aparece alguém e me empurra quase me tirando o equilíbrio, e olho a tempo de ver o próprio Yannis Philippakis, que corria curvado com duas baquetas à mão pelo meio da galera. Tambores caindo pra cá, microfones sendo jogados pra lá, um show que termina junto ao fim do mundo.

Spoon. Eu gosto do som dos caras, sou fã dos sons antigos, e acredito que um dos melhores cedês deste ano é deles, mas entrei sem esperar um grande show. Eles foram além do que eu esperava, fizeram rock’n’roll bonito, mas alguma coisa continuou sem dar as caras. Não sei bem o que foi. Não creio que tenha faltado entrega ou verdade na primeira apresentação em terras brasileiras. É que talvez o Spoon não faça realmente grande diferença ao vivo, por mais que isso possa soar injusto. Não há tanto mais para ser dito que aquilo que já está devidamente compactado nos discos. All alright though.

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Breeders eu escutei de longe, enquanto tirava um cochilo numa das esteiras que colocaram no gramado lá fora. Achei ok. Mallu e Sr. Vanguart, agora ex-namorados, tocaram no main stage um depois do outro, ou algo próximo disso. Offspring tocou paralelo ao Spoon, então sem chance. Jesus and Mary Chain ouvi uma música, parecia legal. Bloc Party eu não vi nada, mas falaram que eles ficaram pedindo desculpas pelo playback na mtv e eu fico grato por tê-los ignorado. No dj stage, eu queria mesmo era ver o Calvin Harris, que foi cancelado. O Kaiser Chiefs é uma piada. Disparado o show mais chato de todos. Como é que uma banda que poderia ser qualquer outra, com músicas tão iguais a qualquer coisa, pode fazer tanta gente responder tão aficionadamente às suas bobagens de palco? Mão esquerda, Êee, Mão direita, Êee, Oubrrigado, sao paolo, oubrrigado. Chato de doer. E no entanto estava lá encerrando os shows do palco principal, o vocalista usando uma cueca vermelha. Não me pergunte.

Written by Dael

November 14, 2008 at 1:32 pm

vampire weekend, ottoman

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Tá aí a primeira música do Vampire desde o lançamento do cedê de estréia. A música é parte da trilha sonora do filme Nick and Norah’s Infinite Playlist, que tem no elenco Michael Cera, o moleque do Superbad. Tem uma marca mais melancólica que o álbum, um refrão menos quebratudo e um solo de violino metido-a-clássico muito charmoso.

Aqui ó.

A banda fez a última performance na Europa no último 7, e, de volta a NY, se prepara agora para o segundo álbum, que a gente espera, paciente.

Written by Dael

November 13, 2008 at 6:28 pm

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gui boratto, beautiful life

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Sem tempo, sem tempo, e às vésperas do planeta terra festival, deixo esse vídeo do Gui Boratto, o brasileiro que aprendeu direitinho o que é essa nova música eletrônica.

Written by Dael

November 3, 2008 at 8:37 pm

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dan deacon, okie dokie

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Sem nenhuma exigência fresca exceto que as toneladas de cabos, mixers e amplificadores estejam devidamente posicionados no meio da pista, em meio ao público, ele se apresenta hoje no tim festival sp.

E eu vou perder =/

Written by Dael

October 24, 2008 at 3:41 pm

mallu em floripa

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À guisa de uma questão temporalmente próxima: Mallu Magalhães.

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Foi a menina, 15 anos, que, voces sabem, veio à luz através da Internet (myspace etc.) com um punhado de canções que tinha gravado num estúdio, presente de aniversário do avô, e de repente hype. Música no comercial da vivo, parece. E participação em cd de Marcelo Camelo (do qual também participa Hurtmold equal to: um cara que sabe aliar), pululando um show aqui outro ali, um produtor internacional pro álbum que sai no dia 7 de novembro, e sendo reconhecida como fenômeno pelo Jô (um cara que sabe o que diz). (Brincadeira.)

Um desses shows o qual aconteceu aqui em Floripa no último sabado. Promovido por hot pocket sadia myspace brasil, uma uniao economicamente acertada até, quando se vê qual é o público que Mallu atrai, uma mistura de hamburguerzinhos indie. Mas o show foi uma atrocidade a começar pelo som que estava muito mal equalizado, e ora baixo, ora alto, nao se entendia uma palavra do que ela dizia ou do que dizia sua gaita de boca à la Bobby. Comunicação zero. Se você fechasse os olhos perigava imaginar-se atropelado por um soco de barulho contínuo. Segundo ponto baixo, a adequeção. Um show que muito fácil se converte em pessoas sentadas em poltronas, fazendo barulho apenas com os sacos de pipoca e os aplausos e alguns Êee, o que teria rolado muito bem no TAC. A presença da banda, guitarra, baixo, teclado/escaleta, bateria, trariam ao som folk de Mallu toda a sutileza que, no Célula, se perdeu.

Por último, Mallu ainda nao sabe fazer shows. O que é perfeitamente aceitável, e num certo sentido até mesmo respeitável e louvável. Ela (já) tem 16.

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Agora, com relação à sua música, o buraco é do outro lado. Mallu tem despojamento pra cantar suas composições no mesmo nível que tem uma maturidade louca pra lidar com a própria voz. Umas arranhadas gostosas, uns solfejos macios, uns gritinhos lúdicos. Uma maneira meio Joanna Newson de ser. E letras que condizem com tudo isso, com um universo brincalhão e sentimentos, novos e usados, de uma menina de uns anos, misturados numa voz sofisticada leite condensado. Não espere chegar ao nirvana, mas não é necessariamente disso que Música se trata, seu destruidor de mentes. Espere ter alguma diversão no domingo de manhã.

É até um pouco assustador quando voce ve ela em cima do palco, cercada por uma aura meio cínica de gente gritando, transformando um momento que poderia ter um segundo diferente em um momento comum, e parece que toda essa coisa inocente pode ser uma coisa moldadinha com tinta. Mas não é dificil ver que ela mal percebe o que está acontecendo, que diabos é isso?, e, apesar disso, todo aquele mistério não se anula, muda de cor. Ela não sabe como dizer as coisas direito, usa o inglês para esconder seus segredos e o pápápápá quando o inglês não é suficiente. Mas vai dizendo um folk gostoso com a quase insuficiência de suas mãos pequenas.

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No show, ela anuncia o aniversário do pai, que viaja com ela, e assim, no meio da apresentação, faz um Parabéns pra você, por Mallu & Banda, levando todo mundo a cantar junto, É pique, É pique, Rá, Tim, Bum, o que é precisamente sobre o que Mallu Magalhães se trata.

It’s all about to party. <:o)

Written by Dael

October 16, 2008 at 6:47 pm